29.10.06

Capítulo 32: (Ricardo)

Abri os olhos e me reconheci na cama, às nove da manhã. Ai, meu Deus, perdi a reunião!
_Droga!_ levantei em um pulo, peguei o telefone e disquei rapidamente para o escritório. Enquanto chamava, observei Daniela esparramada entre os lençóis. A minha secretária entrou na linha e eu perguntei como estava tudo por lá. O caos, claro!

_O que eu faço com os dois japoneses que estão aqui impacientes?
_Olha, fala para eles que eu estava voltando de viagem e..._Coloquei meu cérebro para funcionar, tinha que entretê-los._... e que só posso chegar depois do almoço! Paga para eles comerem feijoada, em algum restaurante na beira da praia, enfim, banca um dia de turista para eles, porque não vou poder chegar aí agora. Estou com um problemão!

_Claro, senhor._ ela desligou.
_Então, eu sou um problemão?_ ouvi uma voz rouca atrás de mim.
Virei-me e vi Daniela se levantando da cama.
_Não!_ puxei-a._Meu único problema é não querer sair daqui._ beijei seus lábios.
_Ricardo, preciso escovar os dentes..._ ela ficou envergonhada._ Eu estou horrível!
_Que bom, só assim eu tenho certeza que aquela loucura toda foi com uma mulher de verdade e não com uma boneca inflável._ brinquei.
_Loucura toda? Do que você está falando?_ franziu a testa com ar de desentendida.
_Como assim...? Ontem...? Nós...?_ eu senti um frio na barriga, um medo do que eu temia, que ela despertasse daquilo tudo e achasse que o somatório da noite foi igual a zero.

_ Estou brincando, bobo!Não precisa fazer essa cara!_ ela riu e me puxou pela calça do pijama._ Eu não vou escapar, ao menos que você queira.
_Então, a gente fica aqui para sempre e vive de luz._ Abracei-a.
_Ricardo? Seu amigo Guimarães está aí!_ Fátima bateu na porta.
Daniele olhou-me séria.
_Diz que eu já vou._ pedi._ Você vai vê-lo? Claro, que pergunta besta a minha._ eu soltei-a.
_Ricardo, calma, as coisas vão se resolver..._ Daniela ficou constrangida.
Eu fiz sinal para ela não tentar se explicar. Pediu-me licença e lavou o rosto no banheiro. Eu entrei no chuveiro e deixei a água cair sobre mim. Pensei no meu amigo, eu não teria cara de olhar para ele, depois de ter passado a noite com a sua namorada. Mas eu precisava ser frio. Quando o encontrei na sala, estava conversando com Daniela, que tomava café da manhã.
_Eu já sei que estou atrasado._ desculpei-me, antes de qualquer coisa.

_Você quer perder os nossos dois clientes mais importantes? Eu não sei até quando aquele monte de bunda desfilando na frente deles vai segurá-los!_ Guimarães estava irado comigo, usando aquele tom de pai que repreende o filho depois de uma grande imbecilidade feita._ Acabei de saber que mandou eles almoçarem à beira mar, que lindo não?_ Ele falou com irônia e deu um risinho, no final, arrematou com o dedo apontado para mim._ Assim a gente não chega a lugar nenhum!
_Ok, ok, eu já vou buscar minhas coisas!_ levantei os braços para o alto em sinal de rendição. Não era muito confortável para mim estar levando um sabão daqueles, mas eu precisava daquilo e de muito mais, eu estava sendo um crápula! O que eu podia fazer para dar um rumo aquela história? Levantar o dedo e acrecentar: "Ah! Eu perdi a reunião, porque eu dormi com sua namorada."

_Vamos! O que está esperando, cara?!_ ele bateu palmas e o seu celular começou a tocar. Atendeu, passou a mão no rosto e virou-se para o lado.
Procurei os olhos de Daniela, que se mantinha concentrada abrindo crateras no mamão com a colher.
_Podemos ir._ voltei para sala e Guimarães e Daniela estavam abraçados. Aquilo me deu um mal estar. Uma sensação de traição, ao mesmo tempo de culpa também, porque eu estava destruindo a relação deles.
_Vai ficar tudo bem, amor! Sua irmã irá acordar._ Guimarães beijou-a na boca e eu não quis ver, era demais para mim. Passei pelos dois e me dirigi à garagem.

No fim da tarde, depois de resolver todos os problemas do escritório, fui visitar Alice. Hoje, com um sentimento de vergonha. Ela parecia dormir um sono profundo e eterno. Sentei ao seu lado, como sempre fazia em minhas visitas e lhe falei de nossa filha, da empresa, da loja dela que estava muito bem nas mãos de sua gerente... Contei-lhe tanto, como se ela pudesse me ouvir. Aliás, foi a vez que mais tive abertura. Na nossa relação nunca houve momentos de desabafo e intimidade de pensamento... Agora quase morta em minha frente, eu parecia tão mais perto dela.

Fiquei quieto, pensando no que fiz ontem. Não era justo ter feito isso com ela, que mal ou bem, com todos os defeitos, me respeitava e não faria o mesmo comigo. Sua irmã, que tanto lhe trazia indisposições dormira em meus braços, na sua cama. Senti raiva de mim, raiva desses desejos carnais mais fortes que minha resistência. Teria sido tudo carência? Não, não era, e essa sim foi a pior parte de encarar: eu estava deixando desaguar um sentimento, que se aflorou na ausência dos olhos questionadores de Alice. Sem ela, eu pude dar vasão a tudo que eu quis fazer desde que Daniela chegou iluminando minha casa, minha vida.

Lembrei do beijo dela em Guimarães. Como é que vou fazer com meu amigo? Mesmo que ele não viesse saber o motivo pelo qual ela vai terminar com ele, eu não posso simplesmente aparecer no dia seguinte de mãos dadas com ela! E isso não era apenas por causa dele, mas porque eu estava casado com uma pessoa em coma.

_Alice? Quando você vai acordar?_ levei as mãos ao rosto e me senti tão frágil, tão impotente e perdido.

5 comentários:

ANINHA disse...

QUE ROLO HEIM LI!!!! CARAMBA!!!!

ANINHA disse...

ah, uma correçaõ!! vc colocou cap. 23.. não seria 32 ???

Autora disse...

IIHHHH É mesmo, vou consertar hehe beijinhos

Emmanuel disse...

Li, a consciência é o tribunal de nossas atitudes... Muitas vezes, é preferível prosseguir adiante sofrendo o acicate do aguilhão da renúncia, do que sucumbir sob os narcóticos dos desejos... Porém, é sempre bom lembrar: Atire a primeira pedra!!! Bjs

Anônimo disse...

"Sua irmão, que tanto lhe trazia indisposições dormira em meus braços, na sua cama."

conserta ai , se não vão pensar q o cara é gay.

Percebi outros erros mais tava com pressa de ler os cap., e n postei comentário nos outros.

rsrs
Tô adorando o livro!