17.9.06

Capítulo 18: (Ricardo)

_ Seu Ricardo..._ Fátima veio para cima de mim, assim que eu abri a porta da sala. Ainda naquele estado de robô, joguei a pasta na mesa, desatei o nó da gravata e abri meus ouvidos para mais uma de suas péssimas notícias. Já estava de saco cheio de sempre chegar em casa e ser informado de que algo não ia bem.
_O que foi dessa vez?!
_O que foi dessa vez foi sua mulher que não atende o telefone!_ respondeu Daniela, antes de Fátima esbolçar qualquer frase. O que ela fazia em casa naquela hora?Ah! Deixa eu adivinhar: devia ter passado a tarde com Guimarães, agora eles só viviam grudados. Ninguém na empresa sabia, mas eu estava a par de todos os detalhes à cada manhã que ele entrava na minha sala com um sorriso enorme e sempre me inquerido porque eu vivia de mau humor. Aquila alegriazinha dos dois começava a me incomodar!
_Deve ter desligado. Ela faz isso quando não quer ser pertubada em alguma reunião..._ informei com a voz mais arrastada que encontrei dentro de mim e sentei no sofá.
_Ricardo?!_ Daniela jogou o telefone em cima da poltrona, em sinal de desistência._... sua filha está ardendo em febre...!
Eu deitei e afoguei o rosto na almofada, louco para alguém também começar a gritar preocupado por mim, por minha saúde física e mental que ia ralo a baixo, melhor, casamento a dentro!
_Você não vai fazer nada?!_ me olhou como se eu fosse Hitler.
_Vamos levá-la para o hospital!_ fiz um esforço, me levantei e peguei as chaves do carro. Logo Fátima apareceu com minha filha, Angélica, que estava com as bochechas avermelhadas.
O médico passou um remédio e pronto, simples, lá estávamos de volta a casa, depois de solucionar aquela tempestade. Agora era só eu me entregar a um delicioso banho e me abraçar a minha caminha...
_Como é que é? Vocês levaram a MINHA filha ao médico e não me chamaram, não me comunicaram...?_Alice começou seu ataque assim que abrimos a porta da sala e a encontramos.
_Nós tentamos senhora, mas o telefone estava desligado..._Fátima tentou se explicar.
Eu subi direto para o quarto. Alice entrou no banheiro e iniciou um monólogo estridente de como eu não deixava ela participar da maternidade a que ela tinha direito, de como eu era egoísta, frio e muitos eticetaras que ficaram abafados, lá longe, do outro lado do box. A água quente que caia em mim me anestesiando...
Ela continuou infinitamente suas lamúrias. Eu peguei o travesseiro e fui deitar no sofá. Alice ainda gritou do alto da escada que estava cheia de eu não ouví-la.

Eu ouvia! O problema era esse: eu não queria mais era justamente ouvir nada, nem ninguém!
Dormi um sono pesado, infeliz, sem espaço para sonhos.

Tudo que eu viria a descobrir, depois daquele dia, acontecera ali, debaixo do meu nariz, enquanto eu dormia para a realidade.

4 comentários:

Eliane disse...

Quero dar boas vindas aos que aqui chegaram por indicação da Gazeta dos Blogueiros, fiquei muito feliz pela indicação!
Beijinhos a todos da autora.
Se divirtam virando as páginas!!!
Quem quiser conhecer meu blog pessoal:
www.elianeequilibrio.blogspot.com

Até!

Lela Sodré disse...

Li, posso chama-la assim? Passei horas aqui, adorei seu texto, se bem que não sou nenhuma crítica literaria e sim uma leitora contumaz.......Delicioso. O blog é criativo,a primeira impressão ao abrir foi deliciosa, vc tem antes de tudo, bom humor.
Qt as dificuldades, enfie os pés em seus objetivos como se vc fosse uma árvore...vc consegue quebrar as barreiras, tenho um primo que conseguiu.....www.folhetim.com.br....se ainda não conhece, vai lá fuçar, é bem bacana.
Sucesso linda, virei sua fãzona. Ah....linkei vc.
Beijocas.

Editora disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Editora disse...

Lela, brigadíssima pelo carinho! Pode deixar que por esse estimulo que me deu eu vou melhorar!