_Menina, Daniela?!_ Fatinha bateu na porta do quarto. Olhei-a de lado, ainda deitada na cama._ Seu Ricardo disse que vai vir para casa com o amigo dele.
_Guimarães?
_Isso._ ri, isso só podia ser brincadeira. _ Não disse para ele que eu estava aqui né?
_Disse, você não me falou nada que era para...
_Droga, Fatinha!
_Mas Dani, você...
_Tá tudo bem!_ sentei-me e minha cabeça parecia uma caixa de cacos de vidro saculejando._ Eu não quero ficar para esse jantar!
_O que está acontecendo, Dani?_ Fátima sentou-se ao meu lado e mecheu no meu cabelo.
_Deu tudo errado..._ respirei fundo._ Eu fui na casa dele hoje e ele estava com outra mulher...
_Ah! Menina tsi tsi..._ ela ficou desapontada._ E seu Ricardo não deve ter feito por mal. Se ele soubesse não teria convidado...
_Não! Ele nem suspeita. Porque quem estava lá..._ olhei-a nos olhos._ Era Alice se declarando de amores!_ falei com voz de nojo._ Caramba, eu to precisando tomar um bom banho de sal grosso, não é possível!_ levantei-me irada e comecei a andar pelo quarto._ Eles estavam mantendo um caso e ela acha que a filha não é do Ricardo! Tem noção? O Guimarães não acreditou, achou que era chantagem... Mas como eu fico depois de engolir essa?_ coloquei as mãos na cintura esperando alguma reação de Fátima, ela fora minha companheira de ombros nestes últimos meses. Mas parecia não se assustar com nenhuma daquelas notícias._ Você sabia?
_Eu desconfiava...
_Por que não me falou?_ me senti desapontada._ Assim eu não teria bancado o papel de idiota!
_Não foi idiota, você estava feliz e ele também. Não queria estragar sua vida, menina. Eu não tinha certeza.
_É, mas agora eu tenho!_ sentei ao seu lado de novo.
_O que vai fazer? Vai contar tudo para o Ricardo?
_Não sei._ dei de ombros._ É muita ironia do destino._ ri daquela loucura toda.
_Você sabe que vai ter que olhar para os três o jantar inteiro...
_Cara, coitado do Ricardo. Ele tá pagando o corno sem nem saber. Pior que eu estava gostando muito do Guimarães, sabe?
_Sei, eu vi como estava feliz.
Fátima voltou para a cozinha a fim de preparar o jantar e eu tomei um banho, precisava tirar aquela roupa do trabalho e me recompor.
Permaneci reclusa no quarto, até que fosse inevitável ir para a sala. Fátima veio anunciar que todos já estavam tomando drinks. Abri a mala, retirei um vestido vermelho que tinha um tecido amarrotado. Vesti acompanhado de uma sandália alta dourada. Olhei-me no espelho da porta do guarda-roupa. Pintei o olho de preto e a boca de vermelho sangue. Escovei o cabelo e terminei com uma gargantilha de fita preta no pescoço.
A música que já estava tocando enchia a casa com o som de um piano. Alice dançava com Ricardo, enquanto Guimarães sentado, observava os Cds. Ele me encontrou com os olhos e sorriu. Mas não foi com o mesma alegria com que Alice me recebeu. Ricardo fez sinal para eu me aproximar e perguntou se eu era boa de dança.
_Claro!_ sorri e apertei o botão no som. Busquei um CD na estante. Alice resmungou por eu cortar seu barato. A música animada começou a tocar e Ricardo gostou. Puxou a mulher para dançar.
Eu peguei Guimarães pela mão e o fiz colocar a mão na minha perna e ele, tadinho, achou que eu estava fazendo as pazes. Começamos a dançar sensualmente. Alice não conseguia parar de tirar os olhos de nós. Cada vez o ciúme dilatava mais suas pupilas.
Ricardo parou um pouco e pediu licença para subir e trocar de roupa, ele tinha chegado junto com Guimarães da empresa.
_Pronto, o palco está armado._ eu abri os braços e me inclinei para Alice e Guimarães, em sinal de reverência, quando Ricardo já tinha se retirado._ Vocês agora podem dançar juntos. Não vão precisar fingir.
_Do que está falando?_ Alice riu insegura.
_Do que estou falando, querida?!_ cheguei mais perto._ do pai da sua filha e você. Ah, e do panaca do Ricardo, que não está aqui para se defender.
Alice olhou para Guimarães em agonia, pedindo um socorro.
_Como é?_ dirigi-me para ele._ Vai contar para o seu amigo depois da sobremesa que os olhos verdes a menina puxou de você?_ perguntei para Guimarães de braços cruzados._... porque, que eu saiba, na minha família não tinha ninguém assim!_ comentei e ele pareceu cair na real que Alice podia não estar delirando quando lhe contara sua suspeita._ Eu não sei como conseguiram sustentar até aqui, mas deve ter sido excitante a emoção de brincar de pique-esconde.
_Para mim, chega!_ Guimarães pegou o palitó._ Fala para o Ricardo que me chamaram no telefone de emergência.
_Ah! Essa é a desculpa que sempre usaram?_ perguntei irônica.
_Cala a boca!_ Alice estava vermelha de vergonha, levou-o até a porta.
_Ah! Não esqueça o beijinho de boa noite!_ ironizei.
Alice voltou-se para mim e apontou o dedo na minha cara:
_Não ouse abrir a boca.
_Não se preocupe, é você que vai ter que escolher qual dos dois vai querer.
Alice desistiu do jantar e foi para o quarto, logo em seguida, Ricardo chegou com o ar de desolação por terem estragado sua brincadeira. Sua festinha foi colocada abaixo por mim.
_Mas ainda temos nós dois._ peguei duas taças de vinho, caminhei até sua direção e ofereci uma a ele.
Sorri.
Ricardo aceitou e bebeu do meu veneno.
30.9.06
24.9.06
Capítulo 22: (Ricardo)
Depois de bater na porta da sala, abri:
_Daniela... Cadê?_ franzi a testa e apontei para fora, mas Guimarães não fez nenhum sinal de resposta. Olhava a parede fixamente, enquanto segurava a caneta na altura do queixo acariciando-a._Está tudo bem ou estou interrompendo algum processo criativo?
_Só alguns problemas. Mas entra aí!_ indicou a cadeira para sentar._ E então? Os investimentos da Coldi estão...?
_Não, não vim aqui falar de negócios..._ interrompi._... Vim falar de mim._ expliquei-me, invertendo os papéis, já que era ele que ultimamente vivia cheio de novidades.
_Claro!Fala!_ chegou mais para frente e se pôs em posição de escuta.
_Sei lá..._ recostei-me na cadeira, era incômodo ficar falando de si, mas eu tinha que desabafar. Tava explodindo, nem conseguia trabalhar direito._ Eu estou feliz com o nascimento da minha filha. Imagina? Ter alguém que foi fruto seu? Só que meu casamento é uma história a parte. Eu não me sinto assim mais louco de amor pela Alice. Ela está tendo uns ataques de stress, começa a chorar sem saber por quê. Imagina que hoje na hora do almoço se trancou no quarto e não quis falar com ninguém. O que você acha que eu devo fazer?
_Pô, Ricardo..._ Eu tentei salvar o meu: fiz várias "missões ressureição, mas depois vi que não deu em nada...Agora cada caso é um caso, ou melhor, cada casa um caso._ riu-se do trocadilho.
_É. Vou tentar mudar alguma coisa, antes que tudo acabe de vez. Tudo bem com você e Daniela?
_Tivemos uma discussão, mas vai tudo ficar bem.
_Você vai fazer algo hoje à noite?
_Não.
_Vem jantar com a gente. Vou preparar algo legal e aí a gente tenta fazer nossa "missão ressureição". A Alice vai adorar! Que tal? Só nós quatro. Por favor, vai?
_..._ ele ficou pensativo.
_Daniela... Cadê?_ franzi a testa e apontei para fora, mas Guimarães não fez nenhum sinal de resposta. Olhava a parede fixamente, enquanto segurava a caneta na altura do queixo acariciando-a._Está tudo bem ou estou interrompendo algum processo criativo?
_Só alguns problemas. Mas entra aí!_ indicou a cadeira para sentar._ E então? Os investimentos da Coldi estão...?
_Não, não vim aqui falar de negócios..._ interrompi._... Vim falar de mim._ expliquei-me, invertendo os papéis, já que era ele que ultimamente vivia cheio de novidades.
_Claro!Fala!_ chegou mais para frente e se pôs em posição de escuta.
_Sei lá..._ recostei-me na cadeira, era incômodo ficar falando de si, mas eu tinha que desabafar. Tava explodindo, nem conseguia trabalhar direito._ Eu estou feliz com o nascimento da minha filha. Imagina? Ter alguém que foi fruto seu? Só que meu casamento é uma história a parte. Eu não me sinto assim mais louco de amor pela Alice. Ela está tendo uns ataques de stress, começa a chorar sem saber por quê. Imagina que hoje na hora do almoço se trancou no quarto e não quis falar com ninguém. O que você acha que eu devo fazer?
_Pô, Ricardo..._ Eu tentei salvar o meu: fiz várias "missões ressureição, mas depois vi que não deu em nada...Agora cada caso é um caso, ou melhor, cada casa um caso._ riu-se do trocadilho.
_É. Vou tentar mudar alguma coisa, antes que tudo acabe de vez. Tudo bem com você e Daniela?
_Tivemos uma discussão, mas vai tudo ficar bem.
_Você vai fazer algo hoje à noite?
_Não.
_Vem jantar com a gente. Vou preparar algo legal e aí a gente tenta fazer nossa "missão ressureição". A Alice vai adorar! Que tal? Só nós quatro. Por favor, vai?
_..._ ele ficou pensativo.
23.9.06
Capítulo 21: (Daniela)
Eu estava já sem limites, totalmente entregue a emoção e felicidade daquela paixão. De certa forma nem fazia tanto esforço mais para disfarçar, até queria mesmo que algumas pessoas percebessem logo. Decidi, então, fazer uma surpresa para Guimarães. Ele ligara para informar que ficaria em casa àquela manhã e eu pedi ao motorista da empresa que me levasse até a casa dele.
No carro, olhando através do vidro preto as àrvores que cervavam o caminho, tive uma sensação de relaxamento e paz tão gostosa. Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco. Pensei em Marcos, nos Estados Unidos. Segundo seus emails, está namorando uma garotinha patricinha e ficando com outra mais velha. Sorri da idéia, ele não tomava jeito. Inevitável também não lembrar de... Não, é melhor não ficar mais desenterrando os mortos, tenho que aprender a deixá-lo quieto, adormecido dentro de mim. E para tomar o lugar do pensamento, claro, veio a imagem de Guimarães.
Abri o portão bem de vagar, eu já tinha a chave que ele copiara para mim e entrei pela cozinha.
_Oi!_ falei baixinho e a empregada deu um pulo de susto. Seus olhos se arregalaram.
_O que está fazendo aqui, menina?_ ela me pareceu um tanto nervosa demais, para quem já vira por diversas vezes eu dormir e acordar ali.
_Eu vim fazer uma surpresa para ele. Ainda tá dormindo?
_Não, está no escritório, mas não vá para lá porque está recebendo visita e..._ ela pegou no meu braço e por um segundo achei que estava me expulsando.
_Tudo bem, então, já que é assim, eu espero.
_Tem certeza que não é melhor voltar mais tarde? Ele pode ser que não queira te ver aqui agora, porque...
_Que isso..._ eu sorri e coloquei a mão no ombro daquela mulher baixinha._ Não precisamos esconder nada... Você sabe que eu e ele estamos muito apaixonados... Não se preocupe, ele não vai ficar...
_Seu idiota!_ ouvimos um berro de uma mulher e o barulho de vidro se quebrando. Dei um passo a frente, mas a empregada me segurou pelo braço.
Meu coração disparou.
_Me solta._ eu tentei passar, mas ela fechou a porta da cozinha e trancou com a chave.
_Quem é essa mulher?_ apontei em direção da sala._ Por que ela está gritando? Ou você me responde agora ou eu...
_Daniela, acalme-se..._ ela fez sinal para que eu falasse mais baixo.
_Ele vai poder te explicar tudo...
Peguei a minha bolsa e sai da cozinha, dei meia volta na casa, e antes de tentar abrir a porta da sala, vi pelo vidro Alice.
Meus movimentos se congelaram.
_Sai daqui, Alice!_ Guimarães ordenou gritando com ela._ Eu já não aguento mais esse inferno!_ a voz dele parecia embargada.
_Eu amo você! Eu sempre amei você, desde que te conheci!_ ela estava chorando.
_Eu também te amo, só que quando pedi para ficar com você, o que fez? Preferiu ficar com Ricardo, não foi?! Então, agora fique com ele, com a sua filha, com a sua vida e me deixa ser feliz! Vai embora!
_Por que a Daniela? Para me provocar ciúme dentro da minha própria casa?_ Alice chorava como eu nunca te visto antes.
_Eu não sei... Aconteceu... Ela é uma garota legal e quero tentar.
Garota legal? Aquilo foi um soco no meu estômago. Não podia estar acontecendo. Eu estava catatônica.
_ Mas eu estou sofrendo muito com isso, Gui. Você sabe que o que vivemos foi tão intenso!
_Então, eu podia ficar com todas, menos com ela, porque é sua irmã? Ah! Dá um tempo!_ Guimarães parecia perder a paciência. _ Mas você pode engravidar do Ricardo e me dar um chute na bunda quando eu me separei da minha mulher?
_Não foi de propósito!_ Alice sentou no sofá e estava desconsolada. _ Mas o Ricardo é maravilhoso também, eu ia dizer o que para ele? Que estava com o melhor amigo dele?
_Eu também não sei como suportaria perder meu melhor amigo, ele é como um irmão pra mim._ Guimarães deu um soco de leve na parede e encostou a testa._ Só que agora, já era, vocês têm uma filha...
_A filha é sua..._ Alice segurou o soluço e levantou-se._ Ela se parece com você, eu já mandei fazer os exames...
_Alice, sai da minha casa, por favor, some daqui!_ Guimarães apontou para a porta da rua.
Senti uma mão me puxar. Era a empregada que me levou até a varanda da cozinha.
_Você não deve se meter nisso. Meu Deus, você está muito gelada.
Tudo escureceu e eu desmaiei. Acordei um tempo depois deitada na cama de Guimarães e ele sentado em uma poltrona.
_Nossa, que susto que me deu!_ ele sorriu e levantou-se. Passou a mão no meu cabelo.
_Não me toca._ afastei-me para trás como se estivesse ao lado de um monstro.
O sorriso dele murchou.
_Ela viu que eu estava aqui?_ sentei e tentei recobrar as forças.
_Não, não viu._ ele tinha uma voz triste._Eu posso explicar tudo.
_Não precisa, eu já ouvi demais por hoje._ fiquei de pé e caminhei para a porta, mas ele não se mecheu, ficou lá.
_Eu não quero perder você._ sua voz grave ecoou pelo quarto.
_E eu não vou competir com a minha irmã, eu não quero me machucar mais._ bati a porta.
Chegando na empresa, peguei minhas coisas e não respondi a ninguém sobre o porquê eu parecia mal.
Simplesmente não conseguia nem digerir a idéia daquele triângulo amoroso. Por mais que tudo fosse verdade, Guimarães não quisesse mais ficar com Alice, ele deixara claro que a amava.
Como eu poderia imaginar que os dois tinham um caso? E também não era hora de me culpar.
Pela primeira vez, lembrei daquele que ainda não sabia que estava no meio daquela confusão toda: Ricardo.
Alice sempre atravessava meu caminho. Sempre me tirava o que era meu. Agora não perderia a oportunidade de dizer que eu estava querendo me vingar. Mas a única coisa que eu quero é ser feliz. Isso é pedir demais?
Agora eu entendi toda sua estupidez, desde que soubera que nós estávamos juntos. Ricardo deveria ter contado. Ela estava morrendo de ciúme.
Acho que está na hora de eu lutar de vez contra ela e impedir que siga me pisando. E eu já sabia o que lhe iria tirar. Limpei as lágrimas dos olhos.
_Cansei de ser boazinha._ falei entre dentes, para mim mesma.
No carro, olhando através do vidro preto as àrvores que cervavam o caminho, tive uma sensação de relaxamento e paz tão gostosa. Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco. Pensei em Marcos, nos Estados Unidos. Segundo seus emails, está namorando uma garotinha patricinha e ficando com outra mais velha. Sorri da idéia, ele não tomava jeito. Inevitável também não lembrar de... Não, é melhor não ficar mais desenterrando os mortos, tenho que aprender a deixá-lo quieto, adormecido dentro de mim. E para tomar o lugar do pensamento, claro, veio a imagem de Guimarães.
Abri o portão bem de vagar, eu já tinha a chave que ele copiara para mim e entrei pela cozinha.
_Oi!_ falei baixinho e a empregada deu um pulo de susto. Seus olhos se arregalaram.
_O que está fazendo aqui, menina?_ ela me pareceu um tanto nervosa demais, para quem já vira por diversas vezes eu dormir e acordar ali.
_Eu vim fazer uma surpresa para ele. Ainda tá dormindo?
_Não, está no escritório, mas não vá para lá porque está recebendo visita e..._ ela pegou no meu braço e por um segundo achei que estava me expulsando.
_Tudo bem, então, já que é assim, eu espero.
_Tem certeza que não é melhor voltar mais tarde? Ele pode ser que não queira te ver aqui agora, porque...
_Que isso..._ eu sorri e coloquei a mão no ombro daquela mulher baixinha._ Não precisamos esconder nada... Você sabe que eu e ele estamos muito apaixonados... Não se preocupe, ele não vai ficar...
_Seu idiota!_ ouvimos um berro de uma mulher e o barulho de vidro se quebrando. Dei um passo a frente, mas a empregada me segurou pelo braço.
Meu coração disparou.
_Me solta._ eu tentei passar, mas ela fechou a porta da cozinha e trancou com a chave.
_Quem é essa mulher?_ apontei em direção da sala._ Por que ela está gritando? Ou você me responde agora ou eu...
_Daniela, acalme-se..._ ela fez sinal para que eu falasse mais baixo.
_Ele vai poder te explicar tudo...
Peguei a minha bolsa e sai da cozinha, dei meia volta na casa, e antes de tentar abrir a porta da sala, vi pelo vidro Alice.
Meus movimentos se congelaram.
_Sai daqui, Alice!_ Guimarães ordenou gritando com ela._ Eu já não aguento mais esse inferno!_ a voz dele parecia embargada.
_Eu amo você! Eu sempre amei você, desde que te conheci!_ ela estava chorando.
_Eu também te amo, só que quando pedi para ficar com você, o que fez? Preferiu ficar com Ricardo, não foi?! Então, agora fique com ele, com a sua filha, com a sua vida e me deixa ser feliz! Vai embora!
_Por que a Daniela? Para me provocar ciúme dentro da minha própria casa?_ Alice chorava como eu nunca te visto antes.
_Eu não sei... Aconteceu... Ela é uma garota legal e quero tentar.
Garota legal? Aquilo foi um soco no meu estômago. Não podia estar acontecendo. Eu estava catatônica.
_ Mas eu estou sofrendo muito com isso, Gui. Você sabe que o que vivemos foi tão intenso!
_Então, eu podia ficar com todas, menos com ela, porque é sua irmã? Ah! Dá um tempo!_ Guimarães parecia perder a paciência. _ Mas você pode engravidar do Ricardo e me dar um chute na bunda quando eu me separei da minha mulher?
_Não foi de propósito!_ Alice sentou no sofá e estava desconsolada. _ Mas o Ricardo é maravilhoso também, eu ia dizer o que para ele? Que estava com o melhor amigo dele?
_Eu também não sei como suportaria perder meu melhor amigo, ele é como um irmão pra mim._ Guimarães deu um soco de leve na parede e encostou a testa._ Só que agora, já era, vocês têm uma filha...
_A filha é sua..._ Alice segurou o soluço e levantou-se._ Ela se parece com você, eu já mandei fazer os exames...
_Alice, sai da minha casa, por favor, some daqui!_ Guimarães apontou para a porta da rua.
Senti uma mão me puxar. Era a empregada que me levou até a varanda da cozinha.
_Você não deve se meter nisso. Meu Deus, você está muito gelada.
Tudo escureceu e eu desmaiei. Acordei um tempo depois deitada na cama de Guimarães e ele sentado em uma poltrona.
_Nossa, que susto que me deu!_ ele sorriu e levantou-se. Passou a mão no meu cabelo.
_Não me toca._ afastei-me para trás como se estivesse ao lado de um monstro.
O sorriso dele murchou.
_Ela viu que eu estava aqui?_ sentei e tentei recobrar as forças.
_Não, não viu._ ele tinha uma voz triste._Eu posso explicar tudo.
_Não precisa, eu já ouvi demais por hoje._ fiquei de pé e caminhei para a porta, mas ele não se mecheu, ficou lá.
_Eu não quero perder você._ sua voz grave ecoou pelo quarto.
_E eu não vou competir com a minha irmã, eu não quero me machucar mais._ bati a porta.
Chegando na empresa, peguei minhas coisas e não respondi a ninguém sobre o porquê eu parecia mal.
Simplesmente não conseguia nem digerir a idéia daquele triângulo amoroso. Por mais que tudo fosse verdade, Guimarães não quisesse mais ficar com Alice, ele deixara claro que a amava.
Como eu poderia imaginar que os dois tinham um caso? E também não era hora de me culpar.
Pela primeira vez, lembrei daquele que ainda não sabia que estava no meio daquela confusão toda: Ricardo.
Alice sempre atravessava meu caminho. Sempre me tirava o que era meu. Agora não perderia a oportunidade de dizer que eu estava querendo me vingar. Mas a única coisa que eu quero é ser feliz. Isso é pedir demais?
Agora eu entendi toda sua estupidez, desde que soubera que nós estávamos juntos. Ricardo deveria ter contado. Ela estava morrendo de ciúme.
Acho que está na hora de eu lutar de vez contra ela e impedir que siga me pisando. E eu já sabia o que lhe iria tirar. Limpei as lágrimas dos olhos.
_Cansei de ser boazinha._ falei entre dentes, para mim mesma.
20.9.06
Capítulo 20: (Ricardo)
Apesar de Alice e eu brigarmos, de alguma maneira ela sempre faz a tormenta voltar a calmaria e tudo que eu queria era justamente isso: um mar pacífico. Outra que estava vivendo bem era Daniela, que viajara com Guimarães por "motivos de negócios" para uma praia paradisíaca...
_Sabe quem anda apaixonado, Alice?_ perguntei alto, para que ela pudesse ouvir através da porta do banheiro entre aberta._ Melhor, sabe quem está louco pela sua irmãzinha?
_Quem?_ ela perguntou, com uma voz um pouco distorcida, devia estar em uma de suas sessões noturnas de creme.
_Guimarães.
O barulho de um vidro se espatifando no banheiro me fez levantar da cama e largar meu computador. Perguntei o que tinha acontecido, mas só foi o perfume que caíra no chão e enchera o quarto com um cheiro muito forte.
_Tudo bem com você?
_Tudo._ Ela pulou a poça de perfume e passou por mim absorta, parecia nem escutar o que eu dizia, depois se pôs de pé na varanda mirando o jardim contemplativamente. Perguntei outra vez se estava preocupada com algo e ela respondeu que eram coisas da loja, caminhou para cama e fechou os olhos. Havia pensando em curtir um pouco mais daquele momento "de bem" com ela, mas Alice não parecia hoje estar para isso.
Na manhã seguinte, foi Fátima quem me alertou para as atitudes da minha mulher:
_Ela ontem passou o dia tentando falar com alguém no telefone e não conseguiu.
_Será que é falta da irmã?_ perguntei irônico e nós dois rimos.
_Alguém aí sentiu minha falta?_ como que adivinhando que falávamos dela, Daniela apareceu na porta da sala. Jogou a mochila no chão e fez festa com meu cachorro que a recebeu cheio de patadas e lambidas saudosas. _ Fatinha, que saudade dos seus biscoitinhos!_ ela tascou-lhe um beijo na bochecha e roubou uns biscoitos de amido de milho do pote._ E aí, Ricardo, tudo certo por aqui?_ perguntou já enchendo o copo de suco.
_Até agora, sim!_ limpei a boca com guardanapo. _Vou dar um beijinho na Angélica e ir para o trabalho.
_Me dá carona?_ pediu.
_Claro._ levantei-me e ela me seguiu. Não esperou e passou na minha frente, pegou minha filha no colo e a ninou.
_Que menina mais esperta, acordou cedo, minha princesa?!_ fez caretas para Angélica._ Olha que sol lindo lá fora!_ afastou com uma das mãos a cortina rosa._ Daqui a pouco vamos te ver andando de patins por ali, óh!_ apontou para a rampa da garagem.
Daniela estava com as bochechas rosadas e parecia tão renovada, exultante. Sua energia contagiava quem chegasse perto, não nego que senti falta disso.
_Sabe quem anda apaixonado, Alice?_ perguntei alto, para que ela pudesse ouvir através da porta do banheiro entre aberta._ Melhor, sabe quem está louco pela sua irmãzinha?
_Quem?_ ela perguntou, com uma voz um pouco distorcida, devia estar em uma de suas sessões noturnas de creme.
_Guimarães.
O barulho de um vidro se espatifando no banheiro me fez levantar da cama e largar meu computador. Perguntei o que tinha acontecido, mas só foi o perfume que caíra no chão e enchera o quarto com um cheiro muito forte.
_Tudo bem com você?
_Tudo._ Ela pulou a poça de perfume e passou por mim absorta, parecia nem escutar o que eu dizia, depois se pôs de pé na varanda mirando o jardim contemplativamente. Perguntei outra vez se estava preocupada com algo e ela respondeu que eram coisas da loja, caminhou para cama e fechou os olhos. Havia pensando em curtir um pouco mais daquele momento "de bem" com ela, mas Alice não parecia hoje estar para isso.
Na manhã seguinte, foi Fátima quem me alertou para as atitudes da minha mulher:
_Ela ontem passou o dia tentando falar com alguém no telefone e não conseguiu.
_Será que é falta da irmã?_ perguntei irônico e nós dois rimos.
_Alguém aí sentiu minha falta?_ como que adivinhando que falávamos dela, Daniela apareceu na porta da sala. Jogou a mochila no chão e fez festa com meu cachorro que a recebeu cheio de patadas e lambidas saudosas. _ Fatinha, que saudade dos seus biscoitinhos!_ ela tascou-lhe um beijo na bochecha e roubou uns biscoitos de amido de milho do pote._ E aí, Ricardo, tudo certo por aqui?_ perguntou já enchendo o copo de suco.
_Até agora, sim!_ limpei a boca com guardanapo. _Vou dar um beijinho na Angélica e ir para o trabalho.
_Me dá carona?_ pediu.
_Claro._ levantei-me e ela me seguiu. Não esperou e passou na minha frente, pegou minha filha no colo e a ninou.
_Que menina mais esperta, acordou cedo, minha princesa?!_ fez caretas para Angélica._ Olha que sol lindo lá fora!_ afastou com uma das mãos a cortina rosa._ Daqui a pouco vamos te ver andando de patins por ali, óh!_ apontou para a rampa da garagem.
Daniela estava com as bochechas rosadas e parecia tão renovada, exultante. Sua energia contagiava quem chegasse perto, não nego que senti falta disso.
19.9.06
Capítulo 19: (Daniela)
A minha vida amorosa foi um campo de batalha com nenhuma vitória e muitas minas ainda ativas. Por isso, ando com cuidado neste terreno. Mas ultimamente só tenho a dizer que estou feliz. É um friozinho na barriga que sobe a cabeça e me tira a razão perigosamente.
Guimarães tinha um papo enciclopédico, sempre circundando todos os assuntos do momento, do passado e do porvir, com um toque de galanteio irresistível. E eu sabia que era fraca para aquilo e ainda, pior (!), me deixava com total permissão me levar pelo ritmo do seu encanto e sedução. Era um teatrinho excitante do formal e casual que jogávamos à dois, para que ninguém sonhasse o que ocorria da esquina para lá da empresa...
Até aquela quinta-feira, um dia em que algo não estava bem. Ele me pareceu um pouco sério depois de um telefonema que eu havia transferido, simplesmente o encontrei absorto na sala, apertando a caneta como tique nervoso. De portas fechadas, eu sabia que não era encenação, ele de fato me ingnorou, me fez me sentir algo menor àquilo que mexia com a cabeça dele.
Isso me deu pavor. Pavor que tive medo de ser ciúme. Ciúme que, se existisse, denotava paixão. Paixão, não!Isso não! Eu não podia ficar tão envolvida assim... Mas, mas... Se outra se envolvesse antes e era nessa outra irreal que ele estava pensando?
_Está preocupado?_ perguntei, enquanto colocava alguns papéis em cima da mesa.
_Nada demais..._ balançou a cabeça para os lados, como se seus devaneios fossem fumaça que se disperssassem no ar. Ficou de costas, olhando a rua através do vidro azul escuro. Mãos nos bolsos, cabeça no infinito._Dani?_ ele só me chamava assim, quando a linha tênue entre o que manda e o que quer ser mandado se rompia._ virou-se e me puxou delicadamente pelos braços, olhou nos meus olhos._ Vamos para casa?_ pediu sério e por alguns segundos achei que pudesse ser minha última chance de aceitar ou não pôr aquilo em diante.
_Agora?_ ri nervosa.
_..._ ele continuou olhando fixo e borboletas voaram em meu estômago.
_Daqui a dois minutos eu desço._ falei séria também.
Não imaginei aquele momento sendo tratado com a seriedade de um acordo comercial, mas aquela medida certamente era um marco de abandono aos nossos fantasmas passados e um sim ao presente. E o presente éramos nós.
Quando chegamos em sua casa, fomos diretos e fixos para o seu quarto, onde ele era um terceiro, que eu ainda não conhecia.
Entre o sério, o descontraído e o romântico, esse foi o mais saboroso descobrir. Desceu-me a alça da blusa e arfou no meu pescoço, escorregando a boca pela curva do colo. Deslisou por dentro de todas as reentrâncias com volúpia.
Abri-lhe a camisa e arremecei para o nada. Experimentei a fronteira entre pele e o pêlo que desejava há tanto sondar. As bocas expeliam o ar quente do vulcão que emergia seus líquidos com a brutalidade de um cisma libidiano. E caímos fracos, ao sabor da carne. Como um fruto que se solta e abre ao solo, pendemos um sobre o outro, na cama.
Ele tinha um peso e uma força bruta, musculosa, larga, grossa, que envolvia, segurava, penetrava desejo à dentro. Ainda puxei o lençol com esforço, de costas, tentei fugir, mas as mãos que me contiveram, tomaram minha nuca, eriçando todos os pêlos. Era tarde, fluí e me derramei por inteiro.
Senti os fios sedosos entre meus dedos, dialogamos em uma língua silenciosa, braíllica, felina. Sorri e esqueci onde começava meu eu. Era a sensação de princípio e fim de tudo. O topor, o suor, o silêncio indolor do nada: o êxtase.
Desfalecemos os dois, num abraço úmido e pacífico, engolidos por um narcótico sono profundo.
Guimarães tinha um papo enciclopédico, sempre circundando todos os assuntos do momento, do passado e do porvir, com um toque de galanteio irresistível. E eu sabia que era fraca para aquilo e ainda, pior (!), me deixava com total permissão me levar pelo ritmo do seu encanto e sedução. Era um teatrinho excitante do formal e casual que jogávamos à dois, para que ninguém sonhasse o que ocorria da esquina para lá da empresa...
Até aquela quinta-feira, um dia em que algo não estava bem. Ele me pareceu um pouco sério depois de um telefonema que eu havia transferido, simplesmente o encontrei absorto na sala, apertando a caneta como tique nervoso. De portas fechadas, eu sabia que não era encenação, ele de fato me ingnorou, me fez me sentir algo menor àquilo que mexia com a cabeça dele.
Isso me deu pavor. Pavor que tive medo de ser ciúme. Ciúme que, se existisse, denotava paixão. Paixão, não!Isso não! Eu não podia ficar tão envolvida assim... Mas, mas... Se outra se envolvesse antes e era nessa outra irreal que ele estava pensando?
_Está preocupado?_ perguntei, enquanto colocava alguns papéis em cima da mesa.
_Nada demais..._ balançou a cabeça para os lados, como se seus devaneios fossem fumaça que se disperssassem no ar. Ficou de costas, olhando a rua através do vidro azul escuro. Mãos nos bolsos, cabeça no infinito._Dani?_ ele só me chamava assim, quando a linha tênue entre o que manda e o que quer ser mandado se rompia._ virou-se e me puxou delicadamente pelos braços, olhou nos meus olhos._ Vamos para casa?_ pediu sério e por alguns segundos achei que pudesse ser minha última chance de aceitar ou não pôr aquilo em diante.
_Agora?_ ri nervosa.
_..._ ele continuou olhando fixo e borboletas voaram em meu estômago.
_Daqui a dois minutos eu desço._ falei séria também.
Não imaginei aquele momento sendo tratado com a seriedade de um acordo comercial, mas aquela medida certamente era um marco de abandono aos nossos fantasmas passados e um sim ao presente. E o presente éramos nós.
Quando chegamos em sua casa, fomos diretos e fixos para o seu quarto, onde ele era um terceiro, que eu ainda não conhecia.
Entre o sério, o descontraído e o romântico, esse foi o mais saboroso descobrir. Desceu-me a alça da blusa e arfou no meu pescoço, escorregando a boca pela curva do colo. Deslisou por dentro de todas as reentrâncias com volúpia.
Abri-lhe a camisa e arremecei para o nada. Experimentei a fronteira entre pele e o pêlo que desejava há tanto sondar. As bocas expeliam o ar quente do vulcão que emergia seus líquidos com a brutalidade de um cisma libidiano. E caímos fracos, ao sabor da carne. Como um fruto que se solta e abre ao solo, pendemos um sobre o outro, na cama.
Ele tinha um peso e uma força bruta, musculosa, larga, grossa, que envolvia, segurava, penetrava desejo à dentro. Ainda puxei o lençol com esforço, de costas, tentei fugir, mas as mãos que me contiveram, tomaram minha nuca, eriçando todos os pêlos. Era tarde, fluí e me derramei por inteiro.
Senti os fios sedosos entre meus dedos, dialogamos em uma língua silenciosa, braíllica, felina. Sorri e esqueci onde começava meu eu. Era a sensação de princípio e fim de tudo. O topor, o suor, o silêncio indolor do nada: o êxtase.
Desfalecemos os dois, num abraço úmido e pacífico, engolidos por um narcótico sono profundo.
17.9.06
Capítulo 18: (Ricardo)
_ Seu Ricardo..._ Fátima veio para cima de mim, assim que eu abri a porta da sala. Ainda naquele estado de robô, joguei a pasta na mesa, desatei o nó da gravata e abri meus ouvidos para mais uma de suas péssimas notícias. Já estava de saco cheio de sempre chegar em casa e ser informado de que algo não ia bem.
_O que foi dessa vez?!
_O que foi dessa vez foi sua mulher que não atende o telefone!_ respondeu Daniela, antes de Fátima esbolçar qualquer frase. O que ela fazia em casa naquela hora?Ah! Deixa eu adivinhar: devia ter passado a tarde com Guimarães, agora eles só viviam grudados. Ninguém na empresa sabia, mas eu estava a par de todos os detalhes à cada manhã que ele entrava na minha sala com um sorriso enorme e sempre me inquerido porque eu vivia de mau humor. Aquila alegriazinha dos dois começava a me incomodar!
_Deve ter desligado. Ela faz isso quando não quer ser pertubada em alguma reunião..._ informei com a voz mais arrastada que encontrei dentro de mim e sentei no sofá.
_Ricardo?!_ Daniela jogou o telefone em cima da poltrona, em sinal de desistência._... sua filha está ardendo em febre...!
Eu deitei e afoguei o rosto na almofada, louco para alguém também começar a gritar preocupado por mim, por minha saúde física e mental que ia ralo a baixo, melhor, casamento a dentro!
_Você não vai fazer nada?!_ me olhou como se eu fosse Hitler.
_Vamos levá-la para o hospital!_ fiz um esforço, me levantei e peguei as chaves do carro. Logo Fátima apareceu com minha filha, Angélica, que estava com as bochechas avermelhadas.
O médico passou um remédio e pronto, simples, lá estávamos de volta a casa, depois de solucionar aquela tempestade. Agora era só eu me entregar a um delicioso banho e me abraçar a minha caminha...
_Como é que é? Vocês levaram a MINHA filha ao médico e não me chamaram, não me comunicaram...?_Alice começou seu ataque assim que abrimos a porta da sala e a encontramos.
_Nós tentamos senhora, mas o telefone estava desligado..._Fátima tentou se explicar.
Eu subi direto para o quarto. Alice entrou no banheiro e iniciou um monólogo estridente de como eu não deixava ela participar da maternidade a que ela tinha direito, de como eu era egoísta, frio e muitos eticetaras que ficaram abafados, lá longe, do outro lado do box. A água quente que caia em mim me anestesiando...
Ela continuou infinitamente suas lamúrias. Eu peguei o travesseiro e fui deitar no sofá. Alice ainda gritou do alto da escada que estava cheia de eu não ouví-la.
Eu ouvia! O problema era esse: eu não queria mais era justamente ouvir nada, nem ninguém!
Dormi um sono pesado, infeliz, sem espaço para sonhos.
Tudo que eu viria a descobrir, depois daquele dia, acontecera ali, debaixo do meu nariz, enquanto eu dormia para a realidade.
_O que foi dessa vez?!
_O que foi dessa vez foi sua mulher que não atende o telefone!_ respondeu Daniela, antes de Fátima esbolçar qualquer frase. O que ela fazia em casa naquela hora?Ah! Deixa eu adivinhar: devia ter passado a tarde com Guimarães, agora eles só viviam grudados. Ninguém na empresa sabia, mas eu estava a par de todos os detalhes à cada manhã que ele entrava na minha sala com um sorriso enorme e sempre me inquerido porque eu vivia de mau humor. Aquila alegriazinha dos dois começava a me incomodar!
_Deve ter desligado. Ela faz isso quando não quer ser pertubada em alguma reunião..._ informei com a voz mais arrastada que encontrei dentro de mim e sentei no sofá.
_Ricardo?!_ Daniela jogou o telefone em cima da poltrona, em sinal de desistência._... sua filha está ardendo em febre...!
Eu deitei e afoguei o rosto na almofada, louco para alguém também começar a gritar preocupado por mim, por minha saúde física e mental que ia ralo a baixo, melhor, casamento a dentro!
_Você não vai fazer nada?!_ me olhou como se eu fosse Hitler.
_Vamos levá-la para o hospital!_ fiz um esforço, me levantei e peguei as chaves do carro. Logo Fátima apareceu com minha filha, Angélica, que estava com as bochechas avermelhadas.
O médico passou um remédio e pronto, simples, lá estávamos de volta a casa, depois de solucionar aquela tempestade. Agora era só eu me entregar a um delicioso banho e me abraçar a minha caminha...
_Como é que é? Vocês levaram a MINHA filha ao médico e não me chamaram, não me comunicaram...?_Alice começou seu ataque assim que abrimos a porta da sala e a encontramos.
_Nós tentamos senhora, mas o telefone estava desligado..._Fátima tentou se explicar.
Eu subi direto para o quarto. Alice entrou no banheiro e iniciou um monólogo estridente de como eu não deixava ela participar da maternidade a que ela tinha direito, de como eu era egoísta, frio e muitos eticetaras que ficaram abafados, lá longe, do outro lado do box. A água quente que caia em mim me anestesiando...
Ela continuou infinitamente suas lamúrias. Eu peguei o travesseiro e fui deitar no sofá. Alice ainda gritou do alto da escada que estava cheia de eu não ouví-la.
Eu ouvia! O problema era esse: eu não queria mais era justamente ouvir nada, nem ninguém!
Dormi um sono pesado, infeliz, sem espaço para sonhos.
Tudo que eu viria a descobrir, depois daquele dia, acontecera ali, debaixo do meu nariz, enquanto eu dormia para a realidade.
13.9.06
Capítulo 17: (Daniela)
Eu esperei com ansiosidade que ele chegasse e entrasse por aquela porta. Desde que me avisaram que Guimarães já havia entrado na empresa, eu não parava quieta. Precisava vê-lo, olhar nos seus olhos e sentir o que de fato estava acontecendo, para que eu pudesse situar meus sentimentos no lugar certo.
_Então, vamos?_ ele entrou com o mesmo olhar frio e imparcial, caminhou para a porta da sua sala e só me restou seguí-lo. Por alguns segundos ainda julguei que pudesse ser só um teatro para que os outros não percebessem. Se bem que, quais outros? A secretária de Ricardo não estava na antesala comigo.
_Eu marquei aquele vôo que pediu e o hotel. Está tudo certo para a reunião.
_Claro._ ele sentou-se do outro lado da mesa, abriu a pasta e apertou a caneta._ Comprou para você também?
_Para mim?..._ franzi a testa e ficou um tom reticente na minha voz.
_É._ ele levantou os olhos e me fitou pela primeira vez._ Você vai comigo.
_Vou?
_E como acha que eu vou me comunicar com ele? Por mímica?
_Ah, claro..._ ri sem graça._ Eu vou ser a tradutora..._falei baixinho._ Obrigada, então, senhor.
Caminhei para porta. Fora só isso: um beijo prostituto, barato, sem sentindo, no meio da noite? Eu sabia que ia me arrepender! E agora? Como ficarei convivendo como uma pessoa que acha que pode me ter quando quer?
Virei às costas e fui à passos firmes até a porta, desejando nunca mais voltar a ter que...
_Dani?_ouvi uma voz atrás de mim._ Espera..._ ele me puxou pela mão e depois me abraçou. Seu sorriso largo e brincalhão me petrificou._Era só para ver sua carinha séria..._ fez carinho no cabelo da minha nuca, enquanto me mantia firme junto ao seu corpo.
_..._ ri indecisa, sem acreditar que..._ Eu pensei...
_Eu já disse para não pensar!_ Guimarães me deu um beijo no pescoço e falou no meu ouvido._ Estamos atrasados para um compromisso sério!
_Estamos?_ sorri.
_É, estamos._ piscou para mim e me deu um leve beijo na boca.Depois foi até a cadeira e pegou o paletó que havia deixado ali._ Tenho algumas coisas que deixei em casa que preciso que olhe para mim, aproveita em vem comigo, almoçamos juntos..._ abriu a porta.
Eu fiquei por alguns segundos parada, tentando achar a linha tênue que separava o profissional do pessoal. Balancei levemente a cabeça para os lados, recompus a postura e tentei não rir. Mas não conseguia atuar tão bem quanto ele. Meu excesso de transparência devia ser meu defeito.
Ele deixou as últimas ordens na empresa, deu tchau para o porteiro e colocou os óculos escuros. Hoje, estava de blusa preta compondo uma aparência obtusa, introspectiva.
Sua casa ficava mais longe do que eu previa, por um lado até pensei que seria bom, ninguém nos reconheceria e estaríamos livres de disfarces. Mas livres para quê, Dani? O que está pensando que vai acontecer?
_O que houve?_ perguntei, quando o carro parou.
_Droga!_ ele abriu o vidro da janela, deixando alguns pingos de água molhar seu rosto._O pneu deu problema..._ voltou a fechar a janela, pois chovia muito.
_Telefona para o seguro... ou
_Logo aqui? A minha casa fica bem ali à duas ruas..._ pensou um momento.Ligou o carro e o levou até o acostamento. Estacionou._ Não vamos ficar aqui ilhados, você tem algum medo de chuva?
_Ãnh?_ quase ri._ Você não está pensando em correr até a sua casa...?
_Então, eu vou._ Ele tirou os sapatos e o paletó. Abriu a porta e caminhou tranqüilo, de baixo de chuva. Eu continuei sentada, atônita, completamente surpresa por ver que não conhecia nem um pouco Guimarães.
Ele parou, virou-se e pôs as mãos na cintura. Depois fez um sinal para que eu fosse logo.
Olhei para minha saia, meu salto, meu cabelo. Ele devia estar louco.
Mas que espécie de garota eu me tornei, hen? Alguns anos atrás eu seria a primeira a correr nua na chuva. Ri, tirei o sapato, larguei a bolsa e os papéis e deixei no carro meu medo de ser feliz. No começo fui encolhida, medrosa, me sentindo ridícula.
Aos poucos senti a liberdade, a chuva, os pés molhados. E lá estava ele na minha frente, sorrindo. Puxou-me e não fiz resistência ao que meu corpo tanto pedia. Beijei-o com a vontade dos amantes.
_Eu quase pensei que teria me molhado à toa, a história do pneu foi tão fraquinha...
_O quê? Então...?_ dei um gritinho e bati no seu braço. Olhei para o carro._ Você vai ver só..._ corri atrás dele e ele adorou a brincadeira. Até que paramos sem fôlego e ele me pegou no colo.
Tudo parecia um conto de fadas. Uma continuidade daquele beijo de ontem só possível nos meus sonhos, mas era real. E eu não queria que acabasse nunca.
Quando chegamos na casa dele, fui obrigada a vestir um roupão e sentamos na sala para tomar café. A empregada cuidou da minha roupa e nós ficamos no aconchegante sofá. Tudo era feito de madeira, com um toque de rusticidade. Nem parecia uma casa na cidade. Era como estar em um microcosmos isolado.
_Você é muito linda, sabia?_ ele beijou meu pescoço._ Vamos para o quarto?
Eu afastei-o um pouco para que pudesse encará-lo.
_Não..._ deixei a xícara na mesa ao lado do sofá._ Eu acho melhor irmos de vagar...
_Tá..._ ele não pareceu satisfeito, mas acabou acatando.
_Você não disse que tínhamos algumas coisas para ver aqui? Ou isso era mentira também?
_Está me chamando de mentiroso?_ riu e me beijou.
Afastei os fios de cabelo que lhe caiam na testa e sorri.
_Não, infelizmente era verdade!_ ele revirou os olhos._Vou lá pegar.
Eu fiquei ali na sala, medindo meu heroísmo de resistência e calculando se de fato o melhor era fazer a razão prevalecer sobre os instintos...
_Então, vamos?_ ele entrou com o mesmo olhar frio e imparcial, caminhou para a porta da sua sala e só me restou seguí-lo. Por alguns segundos ainda julguei que pudesse ser só um teatro para que os outros não percebessem. Se bem que, quais outros? A secretária de Ricardo não estava na antesala comigo.
_Eu marquei aquele vôo que pediu e o hotel. Está tudo certo para a reunião.
_Claro._ ele sentou-se do outro lado da mesa, abriu a pasta e apertou a caneta._ Comprou para você também?
_Para mim?..._ franzi a testa e ficou um tom reticente na minha voz.
_É._ ele levantou os olhos e me fitou pela primeira vez._ Você vai comigo.
_Vou?
_E como acha que eu vou me comunicar com ele? Por mímica?
_Ah, claro..._ ri sem graça._ Eu vou ser a tradutora..._falei baixinho._ Obrigada, então, senhor.
Caminhei para porta. Fora só isso: um beijo prostituto, barato, sem sentindo, no meio da noite? Eu sabia que ia me arrepender! E agora? Como ficarei convivendo como uma pessoa que acha que pode me ter quando quer?
Virei às costas e fui à passos firmes até a porta, desejando nunca mais voltar a ter que...
_Dani?_ouvi uma voz atrás de mim._ Espera..._ ele me puxou pela mão e depois me abraçou. Seu sorriso largo e brincalhão me petrificou._Era só para ver sua carinha séria..._ fez carinho no cabelo da minha nuca, enquanto me mantia firme junto ao seu corpo.
_..._ ri indecisa, sem acreditar que..._ Eu pensei...
_Eu já disse para não pensar!_ Guimarães me deu um beijo no pescoço e falou no meu ouvido._ Estamos atrasados para um compromisso sério!
_Estamos?_ sorri.
_É, estamos._ piscou para mim e me deu um leve beijo na boca.Depois foi até a cadeira e pegou o paletó que havia deixado ali._ Tenho algumas coisas que deixei em casa que preciso que olhe para mim, aproveita em vem comigo, almoçamos juntos..._ abriu a porta.
Eu fiquei por alguns segundos parada, tentando achar a linha tênue que separava o profissional do pessoal. Balancei levemente a cabeça para os lados, recompus a postura e tentei não rir. Mas não conseguia atuar tão bem quanto ele. Meu excesso de transparência devia ser meu defeito.
Ele deixou as últimas ordens na empresa, deu tchau para o porteiro e colocou os óculos escuros. Hoje, estava de blusa preta compondo uma aparência obtusa, introspectiva.
Sua casa ficava mais longe do que eu previa, por um lado até pensei que seria bom, ninguém nos reconheceria e estaríamos livres de disfarces. Mas livres para quê, Dani? O que está pensando que vai acontecer?
_O que houve?_ perguntei, quando o carro parou.
_Droga!_ ele abriu o vidro da janela, deixando alguns pingos de água molhar seu rosto._O pneu deu problema..._ voltou a fechar a janela, pois chovia muito.
_Telefona para o seguro... ou
_Logo aqui? A minha casa fica bem ali à duas ruas..._ pensou um momento.Ligou o carro e o levou até o acostamento. Estacionou._ Não vamos ficar aqui ilhados, você tem algum medo de chuva?
_Ãnh?_ quase ri._ Você não está pensando em correr até a sua casa...?
_Então, eu vou._ Ele tirou os sapatos e o paletó. Abriu a porta e caminhou tranqüilo, de baixo de chuva. Eu continuei sentada, atônita, completamente surpresa por ver que não conhecia nem um pouco Guimarães.
Ele parou, virou-se e pôs as mãos na cintura. Depois fez um sinal para que eu fosse logo.
Olhei para minha saia, meu salto, meu cabelo. Ele devia estar louco.
Mas que espécie de garota eu me tornei, hen? Alguns anos atrás eu seria a primeira a correr nua na chuva. Ri, tirei o sapato, larguei a bolsa e os papéis e deixei no carro meu medo de ser feliz. No começo fui encolhida, medrosa, me sentindo ridícula.
Aos poucos senti a liberdade, a chuva, os pés molhados. E lá estava ele na minha frente, sorrindo. Puxou-me e não fiz resistência ao que meu corpo tanto pedia. Beijei-o com a vontade dos amantes.
_Eu quase pensei que teria me molhado à toa, a história do pneu foi tão fraquinha...
_O quê? Então...?_ dei um gritinho e bati no seu braço. Olhei para o carro._ Você vai ver só..._ corri atrás dele e ele adorou a brincadeira. Até que paramos sem fôlego e ele me pegou no colo.
Tudo parecia um conto de fadas. Uma continuidade daquele beijo de ontem só possível nos meus sonhos, mas era real. E eu não queria que acabasse nunca.
Quando chegamos na casa dele, fui obrigada a vestir um roupão e sentamos na sala para tomar café. A empregada cuidou da minha roupa e nós ficamos no aconchegante sofá. Tudo era feito de madeira, com um toque de rusticidade. Nem parecia uma casa na cidade. Era como estar em um microcosmos isolado.
_Você é muito linda, sabia?_ ele beijou meu pescoço._ Vamos para o quarto?
Eu afastei-o um pouco para que pudesse encará-lo.
_Não..._ deixei a xícara na mesa ao lado do sofá._ Eu acho melhor irmos de vagar...
_Tá..._ ele não pareceu satisfeito, mas acabou acatando.
_Você não disse que tínhamos algumas coisas para ver aqui? Ou isso era mentira também?
_Está me chamando de mentiroso?_ riu e me beijou.
Afastei os fios de cabelo que lhe caiam na testa e sorri.
_Não, infelizmente era verdade!_ ele revirou os olhos._Vou lá pegar.
Eu fiquei ali na sala, medindo meu heroísmo de resistência e calculando se de fato o melhor era fazer a razão prevalecer sobre os instintos...
10.9.06
Capítulo 16: (Ricardo)
Depois da reunião, foi inevitável não perguntar ao Guimarães o que estava acontecendo, para ele ter ficado tão dispersivo. Ele era meu amigo desde a faculdade. Conhecia-o bem e se tem uma coisa que ele não disfarça é quando o assunto é mulher. Eu lançava minha conta bancária em jogo como essa era a resposta para minha questão. Para mim, nossa amizade se assemelhava a um sentimento fraterno de irmãos.
_É isso aí, acabei me envolvendo demais...
_Envolvendo demais?_ franzi a testa e ri, arrumando os papéis na minha mesa. Ele era o tipo de cara que consegue fácil muitas mulheres com sua boa pinta, estava acostumado a sair com Guimarães e ver sua cotação no quesito conquista amorosa._ Isso foi antes, né? Porque ontem você saiu com o pessoal daqui do escritório..._ parei um instante._ Hei! Você não quer dizer que..._ olhei-o de lado._ A Andréa?...
_Nãoooo._ ele fez uma careta de nada-a-ver-de-onde-tirou-isso._ Eu acabei beijando a sua cunhada.
_O quê?_ inclinei-me para frente e fiz uma cara de surpresa.
_É. Eu sei lá que deu em mim, mas eu não fiz nada que...
_Calma, cara! Não precisa também me dar explicações nenhuma!Ela não é minha filha, nem minha namorada...
_Não, claro, eu sei, eu sei..._ ele respirou fundo._ É que ela é irrestível... Não sei o que aquela garota tem, ela é tão...
_Olha lá, hen, você se separou faz pouco tempo, você talvez só queira....
_E que tem que eu só queira me divertir e levar a vida menos à sério?!Casamento é um saco é... Desculpe eu não quero dizer que todas são assim, o seu por exemplo dá muito certo, né?
_É._ respondi e dentro de mim não senti tanta certeza disso.
_Eu vivia só de aparência. No fundo, eu perdi meu espaço, deixei de ser eu, a rotina me fez perder um pouco a vaidade... Talvez, por ela ser mais nova, isso dá uma acariciada no ego...
_O que você está pretendendo mesmo?
_Eu vou deixar as coisas rolarem...
O telefone tocou e eu atendi. Era Daniela perguntando se Guimarães estava na minha sala. Respondi que sim e ela pediu para falar com ele. Passei o telefone.
_Alô? Oi. Ah, ok, estou indo para aí imediatamente._ ele levantou-se._ Depois a gente conversa, Ricardo!_ deu-me o telefone e nos abraçamos, trocando aquele tapinha nas costas._ Valeu, irmão._ saiu.
Eu ainda fiquei pensando naquela possibilidade: Daniela e Guimarães? Ri da combinação. O que eles tinham a ver? Ela era tão... Também o que eu tenho a ver com isso?
Balancei a cabeça para os lados e continuei meu trabalho.
_É isso aí, acabei me envolvendo demais...
_Envolvendo demais?_ franzi a testa e ri, arrumando os papéis na minha mesa. Ele era o tipo de cara que consegue fácil muitas mulheres com sua boa pinta, estava acostumado a sair com Guimarães e ver sua cotação no quesito conquista amorosa._ Isso foi antes, né? Porque ontem você saiu com o pessoal daqui do escritório..._ parei um instante._ Hei! Você não quer dizer que..._ olhei-o de lado._ A Andréa?...
_Nãoooo._ ele fez uma careta de nada-a-ver-de-onde-tirou-isso._ Eu acabei beijando a sua cunhada.
_O quê?_ inclinei-me para frente e fiz uma cara de surpresa.
_É. Eu sei lá que deu em mim, mas eu não fiz nada que...
_Calma, cara! Não precisa também me dar explicações nenhuma!Ela não é minha filha, nem minha namorada...
_Não, claro, eu sei, eu sei..._ ele respirou fundo._ É que ela é irrestível... Não sei o que aquela garota tem, ela é tão...
_Olha lá, hen, você se separou faz pouco tempo, você talvez só queira....
_E que tem que eu só queira me divertir e levar a vida menos à sério?!Casamento é um saco é... Desculpe eu não quero dizer que todas são assim, o seu por exemplo dá muito certo, né?
_É._ respondi e dentro de mim não senti tanta certeza disso.
_Eu vivia só de aparência. No fundo, eu perdi meu espaço, deixei de ser eu, a rotina me fez perder um pouco a vaidade... Talvez, por ela ser mais nova, isso dá uma acariciada no ego...
_O que você está pretendendo mesmo?
_Eu vou deixar as coisas rolarem...
O telefone tocou e eu atendi. Era Daniela perguntando se Guimarães estava na minha sala. Respondi que sim e ela pediu para falar com ele. Passei o telefone.
_Alô? Oi. Ah, ok, estou indo para aí imediatamente._ ele levantou-se._ Depois a gente conversa, Ricardo!_ deu-me o telefone e nos abraçamos, trocando aquele tapinha nas costas._ Valeu, irmão._ saiu.
Eu ainda fiquei pensando naquela possibilidade: Daniela e Guimarães? Ri da combinação. O que eles tinham a ver? Ela era tão... Também o que eu tenho a ver com isso?
Balancei a cabeça para os lados e continuei meu trabalho.
8.9.06
Capítulo 15: (Daniela)
Meu emprego no escritório era um pouco monótono, às vezes, muitos papéis, alguns telefonemas, traduções. Só terminava com ânimo quando nós saímos para beber. Hoje, fora a comemoração do aniversário de casamento da secretário do Ricardo. Fomos todos para um bar na rua ao lado do nosso prédio. Ricardo tentou avisar à Alice, mas essa parece ter dado um motivo muito melhor para que ele não fosse. Simplesmente pediu que o amigo dele, o meu patrão, me desse uma carona, na volta. Eu prontamente disse que podia muito bem pegar um táxi. Não que meu salário pudesse bancar estas regalias, só não queria que os dois me olhassem como uma menininha riquinha sem motorista.
_Então, você ficou lá nos Estados Unidos aprendendo inglês..._ Guimarães sentou ao meu lado, no balcão do bar, aproveitando a saída dos nossos amigos, que foram arriscar cantar na máquina de música.
_Você não sabia?_ fiz uma cara de surpresa caricata e ele riu. Que pergunta era aquela? Eu trabalhava para ele!
_Ok. _ Ele levantou as mãos para o alto._ Eu não sou muito bom para puxar assunto..._ fez um sorriso tímido e ficou molhando os dedos enquando acariciava o copo gelado de cerveja.
_Foi legal, mas certas coisas só o Brasil tem.
_Tipo o quê?_ ele me olhou em cheio e se virou para mim com plena disposição em levar a conversa à diante. Era estranho, fora a primeira vez que ele falava comigo sem começar cada frase com um imperativo de ordem de trabalho. Será que ele estava mesmo dando em cima de mim, ou eu confundia as coisas, por causa da bebida?
_Ah! A comida, o clima, o calor humano, os homens...
_Os homens?_ ele deu um sorrisinho de mil interpretações malditas, que eu quis morrer por ter deixado aquilo escapulir.
_Prefiro os brasileiros.
_Que tipo de brasileiros?_ ele acendeu o cigarro e tragou.
_Do tipo dos que não fumam, principalmente.
Ele me olhou por uns segundos, riu, balançou a cabeça para os lados, parecia tramar alguma idéia.
_Vamos embora?_ pediu jogando o cigarro no lixo._ Essa gritaria está chata._ fez uma careta e senti-o superior a todo aquele ambiente.
_Ãnh?
Sua voz grave, seu corpo forte, a gravata solta no pescoço, de repente apreendi todo o quadro num só olhar e aquilo me produziu uma onde de calor. Deus! Nem pensar em tal hipótese, é tão vil e sórdido ser motivo de fofocas, interpretar o papel da secretária que o patrão já experimentou...
_Em que está pensando...?_ele falou mais perto do meu ouvido, agora em pé, atrás de mim. Seu perfume seco, com uma fragância amadeirada._ Eu estou pensando em dar o fora daqui.
_Dar o fora?_ franzi a testa e pendi a cabeça um pouco para o lado._Claro! Você ia me deixar em casa, não quero te atrapalhar..._ levantei e me recompus, vesti o casaco, peguei a bolsa, eu era a secretária e só!
Ele pagou a conta por nós, abriu a porta do carro, fez toda a conversa durante o trajeto ser irresistível, abriu a porta do carro mais uma vez e...
_Obrigada por ter me trazido... Eu..._ fiquei sem saber o que dizer, e ele quieto, ali na calçada da casa de Ricardo. A rua completamente vazia, a lua no céu, um frio que me fazia encolher.
_Você está surpresa... Porque nunca me viu agir assim?_ ele riu e se ele não tivesse toda a maturidade dos seus quarenta eu diria que era o próprio adolescente embarassado diante de uma garota.
_Está escrito na minha testa?_ ri e me encostei no carro, meu corpo dando sinal de que eu não queria entrar.
_Isso e mais outras coisas..._ ele chegou mais perto, mas sem me tocar.
_E sua mulher?_ quebrei todo o clima, antes que eu estragasse completamente meu plano de carreira.
_É só isso que você precisa saber...?_ ele riu e seus olhos ficavam brilhando por causa da luz do poste. _ Ela já é ex...
_Desculpe, é que ela sempre aparece no escritório... E vocês se dão tão bem... Eu pensei que ela podia estar...
_Não não está esperando em casa._ ele segurou o meu rosto com uma das mãos que tinha no bolso, estava quente.
_E você? Tem alguém te esperando em algum lugar?... _ perguntou agora parecendo "que era só isso que precisava saber".
_Eu não estou gostando disso... Dessas perguntas, desse seu jeito, de..._ comecei a falar coisa com coisa, com medo, ao mesmo tempo com um frio enorme na barriga.
_Você quer que eu seja claro?_perguntou, agora sem paciência para joguinhos.
_É, quero!_ falei com voz firme e séria. Cruzei os braços.
_Então, é isso..._ Ele me puxou, colocou a mão na minha nuca e me beijou com a boca de desejo, me segurou firme e carinhoso. Ninguém podia ver, mas era como se o mundo todo estivesse ali olhando eu cometer aquela infração gravíssima. Puxei-o para perto e beijei com vontade, sentindo a língua, as mãos, o cheiro, a sua masculinidade toda viva. E não sei se foi por carência, pelo sabor do risco, pelo querer e não poder, só sei que era embriagante.
_..._ Guimarães afastou-se algum tempo depois, ainda me abraçando._ Não diz nada, tá? Senão, estraga. _beijou-me de leve a boca, com um carinho que há tantos anos eu não sentia..._ Boa noite..._ me soltou.
_..._ eu fiquei ali parada, vendo-o entrar no carro e partir.
_Daniela! A sua vida não vai ser mais a mesma a partir de agora!_ briguei comigo mesma, enquanto caminhava pelo jardim. _Você é insana! Você não bate bem!_ sorri, depois ri, tirei os sapatos e andei saltitante._ Eu sei que você vai se arrepender..._ ri mais alto.
_Então, você ficou lá nos Estados Unidos aprendendo inglês..._ Guimarães sentou ao meu lado, no balcão do bar, aproveitando a saída dos nossos amigos, que foram arriscar cantar na máquina de música.
_Você não sabia?_ fiz uma cara de surpresa caricata e ele riu. Que pergunta era aquela? Eu trabalhava para ele!
_Ok. _ Ele levantou as mãos para o alto._ Eu não sou muito bom para puxar assunto..._ fez um sorriso tímido e ficou molhando os dedos enquando acariciava o copo gelado de cerveja.
_Foi legal, mas certas coisas só o Brasil tem.
_Tipo o quê?_ ele me olhou em cheio e se virou para mim com plena disposição em levar a conversa à diante. Era estranho, fora a primeira vez que ele falava comigo sem começar cada frase com um imperativo de ordem de trabalho. Será que ele estava mesmo dando em cima de mim, ou eu confundia as coisas, por causa da bebida?
_Ah! A comida, o clima, o calor humano, os homens...
_Os homens?_ ele deu um sorrisinho de mil interpretações malditas, que eu quis morrer por ter deixado aquilo escapulir.
_Prefiro os brasileiros.
_Que tipo de brasileiros?_ ele acendeu o cigarro e tragou.
_Do tipo dos que não fumam, principalmente.
Ele me olhou por uns segundos, riu, balançou a cabeça para os lados, parecia tramar alguma idéia.
_Vamos embora?_ pediu jogando o cigarro no lixo._ Essa gritaria está chata._ fez uma careta e senti-o superior a todo aquele ambiente.
_Ãnh?
Sua voz grave, seu corpo forte, a gravata solta no pescoço, de repente apreendi todo o quadro num só olhar e aquilo me produziu uma onde de calor. Deus! Nem pensar em tal hipótese, é tão vil e sórdido ser motivo de fofocas, interpretar o papel da secretária que o patrão já experimentou...
_Em que está pensando...?_ele falou mais perto do meu ouvido, agora em pé, atrás de mim. Seu perfume seco, com uma fragância amadeirada._ Eu estou pensando em dar o fora daqui.
_Dar o fora?_ franzi a testa e pendi a cabeça um pouco para o lado._Claro! Você ia me deixar em casa, não quero te atrapalhar..._ levantei e me recompus, vesti o casaco, peguei a bolsa, eu era a secretária e só!
Ele pagou a conta por nós, abriu a porta do carro, fez toda a conversa durante o trajeto ser irresistível, abriu a porta do carro mais uma vez e...
_Obrigada por ter me trazido... Eu..._ fiquei sem saber o que dizer, e ele quieto, ali na calçada da casa de Ricardo. A rua completamente vazia, a lua no céu, um frio que me fazia encolher.
_Você está surpresa... Porque nunca me viu agir assim?_ ele riu e se ele não tivesse toda a maturidade dos seus quarenta eu diria que era o próprio adolescente embarassado diante de uma garota.
_Está escrito na minha testa?_ ri e me encostei no carro, meu corpo dando sinal de que eu não queria entrar.
_Isso e mais outras coisas..._ ele chegou mais perto, mas sem me tocar.
_E sua mulher?_ quebrei todo o clima, antes que eu estragasse completamente meu plano de carreira.
_É só isso que você precisa saber...?_ ele riu e seus olhos ficavam brilhando por causa da luz do poste. _ Ela já é ex...
_Desculpe, é que ela sempre aparece no escritório... E vocês se dão tão bem... Eu pensei que ela podia estar...
_Não não está esperando em casa._ ele segurou o meu rosto com uma das mãos que tinha no bolso, estava quente.
_E você? Tem alguém te esperando em algum lugar?... _ perguntou agora parecendo "que era só isso que precisava saber".
_Eu não estou gostando disso... Dessas perguntas, desse seu jeito, de..._ comecei a falar coisa com coisa, com medo, ao mesmo tempo com um frio enorme na barriga.
_Você quer que eu seja claro?_perguntou, agora sem paciência para joguinhos.
_É, quero!_ falei com voz firme e séria. Cruzei os braços.
_Então, é isso..._ Ele me puxou, colocou a mão na minha nuca e me beijou com a boca de desejo, me segurou firme e carinhoso. Ninguém podia ver, mas era como se o mundo todo estivesse ali olhando eu cometer aquela infração gravíssima. Puxei-o para perto e beijei com vontade, sentindo a língua, as mãos, o cheiro, a sua masculinidade toda viva. E não sei se foi por carência, pelo sabor do risco, pelo querer e não poder, só sei que era embriagante.
_..._ Guimarães afastou-se algum tempo depois, ainda me abraçando._ Não diz nada, tá? Senão, estraga. _beijou-me de leve a boca, com um carinho que há tantos anos eu não sentia..._ Boa noite..._ me soltou.
_..._ eu fiquei ali parada, vendo-o entrar no carro e partir.
_Daniela! A sua vida não vai ser mais a mesma a partir de agora!_ briguei comigo mesma, enquanto caminhava pelo jardim. _Você é insana! Você não bate bem!_ sorri, depois ri, tirei os sapatos e andei saltitante._ Eu sei que você vai se arrepender..._ ri mais alto.
4.9.06
Capítulo 14: (Ricardo)
_A minha filha é a coisa mais linda do mundo, não é?_ falei baixinho para Daniela, quando ela entrou no quarto para ver o bebê._ Ela não parece comigo?
_Ela e todas as crianças._ riu._ Só quando ficar maior que vai se parecer mais contigo._ deu-me uma cotovelada de gozação._ O leite já chegou?
_Sim, já. É uma pena que a Alice não esteja podendo amamentar. Mas que bom que existem mães que doam o leite para bancos.
_Isso é. Falar nisso, vou lá buscar, está na hora._ Daniela se retirou e eu peguei a Angélica no colo. Não levo muito jeito, mas tinha que aprender.
Não demorou muito para ela chegar com a mamadeira.
Enquanto Daniela dava de mamá, sentada na poltrona, eu refletia em como Alice gostaria de estar ali. Mas ela permanecia em repouso absoluto. Não queria acordá-la. Desde que chegara parecia muito abatida e abalada.
_Você é tão linda, sabia?_ Daniela sorriu para minha filha._ Seu papai tá com uma cara de bobo..._ fez voz de criança.
_Seu Ricardo._ Fátima apareceu no quarto com um ar apreensivo._ A dona Alice quer ver a criança.
_Mas ela está mamando._ respondi.
_Eu falei que a Daniela tinha trazido o leite, mas ela ficou furiosa. Vai lá..._ Antes de ela terminar eu já estava à caminho do corredor_... Ela não pode ficar nervosa.
Entrei no quarto e vi Alice sentada na cama, me fuzilou com o olhar. Queria ver o bebê. Expliquei que estava se alimentando. E ai que ela queria ver mesmo, disse que não queria que outra tocasse na sua filha.
_Mas não é "outra", é sua irmã._ argumentei.
_Traz a criança aqui agora!_gritou comigo.
_Alice, calma._ abracei-a._ Eu já vou trazer!_ beijei seu rosto. Precisava ter paciência, ela estava passando por uma terrível depressão pós-parto.
_Aqui está..._ Daniela apareceu no quarto com o bebê, antes que eu precisasse buscá-la.
_Não preciso de ninguém cuidando da minha filha!_ Alice abraçou Angélica.
_Deixe ela em pé, acabou de mamar..._Daniela avisou.
_Não tem que me ensinar nada!_ Alice resmungou.
Daniela saiu do quarto e fui atrás dela.
_Calma..._ ainda peguei-a no corredor._ Tente entender...
_Eu já entendi tudo._ ela respirou fundo e procurou não me olhar._... ela está com medo de que eu me vingue.
_Como é que é?_ franzi a testa.
Daniela começou a descer a escada, mas eu a segui:
_Você não vai a lugar nenhum sem me explicar isso direitinho.
_Ricardo._ Daniela virou-se, antes de entrar no quarto._É melhor você voltar lá e olhar muito bem a sua filha.
_Daniela, me explica isso, você está me dando medo!_ abri a porta que ela tentara fechar._ Eu preciso saber do passado de vocês...
_Esse passado está morto, Ricardo!
_Pois então, ótimo! Eu quero conhecer todos os fantasmas por nome.
_Para quê?_ ela sentou-se na cama.
_Pela minha filha!_ pedi e aquilo congelou seu rosto.
Ela sentou-se e deixou de me evitar:
_Eu amei muito um homem, de quem Alice gostou... E ela não me perdoou por isso. Ela começou a ficar louca, como agora está agindo estranhamente... Elas saiu de si... Ela mexeu na moto dele... Porque estava na nossa casa..._ Daniela passou a falar coisa com coisa, eu tentei não interromper. Narrava como se visse flashs de cenas._ ... Só que o cara foi até a minha casa buscar a moto e ele morreu... Era para eu ter pego naquele dia a moto... e...
_Daniela._ aguachei-me em sua frente, diante da cama e toquei seu braço._ Por que me pediu para olhar bem a minha filha?
Daniela olhou-me com seus olhos azuis e hesitou por alguns segundos. Respirou fundo.
_Eu não posso provar nada... Mas eu não sei do que ela é capaz._ sua voz vagarosa e baixa me deu pavor.
_Você não está fabulando... Por causa de uma disputa passada, você não...?
_Eu tenho medo dela._ os olhos amedrontados de Daniela me fizeram eu me afastar. Fiquei de pé, perto da porta, com a respiração ofegante. Passei a mão no cabelo da nuca.
_Eu vou fingir que não ouvi nada, eu não acredito em nada..._comecei um processo de denegação.
Daniela olhou-me fixamente.
_Não deveria...
_Ela e todas as crianças._ riu._ Só quando ficar maior que vai se parecer mais contigo._ deu-me uma cotovelada de gozação._ O leite já chegou?
_Sim, já. É uma pena que a Alice não esteja podendo amamentar. Mas que bom que existem mães que doam o leite para bancos.
_Isso é. Falar nisso, vou lá buscar, está na hora._ Daniela se retirou e eu peguei a Angélica no colo. Não levo muito jeito, mas tinha que aprender.
Não demorou muito para ela chegar com a mamadeira.
Enquanto Daniela dava de mamá, sentada na poltrona, eu refletia em como Alice gostaria de estar ali. Mas ela permanecia em repouso absoluto. Não queria acordá-la. Desde que chegara parecia muito abatida e abalada.
_Você é tão linda, sabia?_ Daniela sorriu para minha filha._ Seu papai tá com uma cara de bobo..._ fez voz de criança.
_Seu Ricardo._ Fátima apareceu no quarto com um ar apreensivo._ A dona Alice quer ver a criança.
_Mas ela está mamando._ respondi.
_Eu falei que a Daniela tinha trazido o leite, mas ela ficou furiosa. Vai lá..._ Antes de ela terminar eu já estava à caminho do corredor_... Ela não pode ficar nervosa.
Entrei no quarto e vi Alice sentada na cama, me fuzilou com o olhar. Queria ver o bebê. Expliquei que estava se alimentando. E ai que ela queria ver mesmo, disse que não queria que outra tocasse na sua filha.
_Mas não é "outra", é sua irmã._ argumentei.
_Traz a criança aqui agora!_gritou comigo.
_Alice, calma._ abracei-a._ Eu já vou trazer!_ beijei seu rosto. Precisava ter paciência, ela estava passando por uma terrível depressão pós-parto.
_Aqui está..._ Daniela apareceu no quarto com o bebê, antes que eu precisasse buscá-la.
_Não preciso de ninguém cuidando da minha filha!_ Alice abraçou Angélica.
_Deixe ela em pé, acabou de mamar..._Daniela avisou.
_Não tem que me ensinar nada!_ Alice resmungou.
Daniela saiu do quarto e fui atrás dela.
_Calma..._ ainda peguei-a no corredor._ Tente entender...
_Eu já entendi tudo._ ela respirou fundo e procurou não me olhar._... ela está com medo de que eu me vingue.
_Como é que é?_ franzi a testa.
Daniela começou a descer a escada, mas eu a segui:
_Você não vai a lugar nenhum sem me explicar isso direitinho.
_Ricardo._ Daniela virou-se, antes de entrar no quarto._É melhor você voltar lá e olhar muito bem a sua filha.
_Daniela, me explica isso, você está me dando medo!_ abri a porta que ela tentara fechar._ Eu preciso saber do passado de vocês...
_Esse passado está morto, Ricardo!
_Pois então, ótimo! Eu quero conhecer todos os fantasmas por nome.
_Para quê?_ ela sentou-se na cama.
_Pela minha filha!_ pedi e aquilo congelou seu rosto.
Ela sentou-se e deixou de me evitar:
_Eu amei muito um homem, de quem Alice gostou... E ela não me perdoou por isso. Ela começou a ficar louca, como agora está agindo estranhamente... Elas saiu de si... Ela mexeu na moto dele... Porque estava na nossa casa..._ Daniela passou a falar coisa com coisa, eu tentei não interromper. Narrava como se visse flashs de cenas._ ... Só que o cara foi até a minha casa buscar a moto e ele morreu... Era para eu ter pego naquele dia a moto... e...
_Daniela._ aguachei-me em sua frente, diante da cama e toquei seu braço._ Por que me pediu para olhar bem a minha filha?
Daniela olhou-me com seus olhos azuis e hesitou por alguns segundos. Respirou fundo.
_Eu não posso provar nada... Mas eu não sei do que ela é capaz._ sua voz vagarosa e baixa me deu pavor.
_Você não está fabulando... Por causa de uma disputa passada, você não...?
_Eu tenho medo dela._ os olhos amedrontados de Daniela me fizeram eu me afastar. Fiquei de pé, perto da porta, com a respiração ofegante. Passei a mão no cabelo da nuca.
_Eu vou fingir que não ouvi nada, eu não acredito em nada..._comecei um processo de denegação.
Daniela olhou-me fixamente.
_Não deveria...
1.9.06
Capítulo 13: (Daniela)
_O bebê está bem, é uma menina, senhor!_ o médico deu um tapinha no ombro de Ricardo._ sua mulher está se recuperando, foi uma cirurgia muito difícil. Ela terá que receber muita atenção e carinho agora. Ela está dormindo, vocês podem ver o bebê.
_Claro,claro!_ respondi feliz e aliviada, uma criança sempre traz esse estado de renovação no espírito com sua chegada.
Corremos para ver a minha sobrinha. Nossa, eu ficara para titia? Fiquei tendo esses pensamentos bobos, enquanto olhava através do vidro aquela criança tão pequena e indefesa.
Ricardo ficou com os olhos marejados de lágrimas. Ele me abraçou e agradeceu por tudo ter terminado bem.
_Agora vocês vão ser uma família!_ lembrei-o e rimos juntos.
Ricardo foi até o quarto de Alice, mas preferi ficar ali quieta, olhando o bebê. Eu ainda estava muito magoada. Naquele dia em que vi a nossa Angélica, nunca imaginaria tudo porque ainda passaria por aquela menina. Tantas coisas me aguardavam. Eu só estava começando a entrar no olho do furacão.
_Claro,claro!_ respondi feliz e aliviada, uma criança sempre traz esse estado de renovação no espírito com sua chegada.
Corremos para ver a minha sobrinha. Nossa, eu ficara para titia? Fiquei tendo esses pensamentos bobos, enquanto olhava através do vidro aquela criança tão pequena e indefesa.
Ricardo ficou com os olhos marejados de lágrimas. Ele me abraçou e agradeceu por tudo ter terminado bem.
_Agora vocês vão ser uma família!_ lembrei-o e rimos juntos.
Ricardo foi até o quarto de Alice, mas preferi ficar ali quieta, olhando o bebê. Eu ainda estava muito magoada. Naquele dia em que vi a nossa Angélica, nunca imaginaria tudo porque ainda passaria por aquela menina. Tantas coisas me aguardavam. Eu só estava começando a entrar no olho do furacão.
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